Central de Conhecimento de Design na Locaweb

Conversar Conectar Contatar Conversar

O problema invisível

Ao ingressar na Locaweb como Líder de Design, rapidamente ficou claro para mim que o maior gargalo do design não era talento nem capacidade técnica das pessoas. Era conhecimento.

Informações críticas estavam espalhadas em múltiplos locais, sem padrão, sem versionamento confiável e, em muitos casos, em drives pessoais de pessoas que já não faziam mais parte da empresa. Não existia histórico de decisões, nem clareza sobre por que algo havia sido feito de determinada forma.

Cada nova iniciativa começava do zero. Cada entrada ou saída de pessoa alterava completamente a forma de trabalhar do design.

O momento de ruptura

O ponto de virada aconteceu quando identifiquei três versões diferentes de um mesmo documento estratégico, nenhuma delas atendendo ao que a diretoria esperava. O resultado disso foi uma força-tarefa emergencial para criar um report executivo quadrimestral.

Esse episódio deixou claro que a desorganização do conhecimento não era apenas um problema operacional. Era uma ameaça direta à estratégia e à credibilidade do design.

A visão

Defini uma visão clara e inegociável:

O design precisava de uma base de conhecimento evolutiva, independente de pessoas específicas, capaz de sustentar excelência, escala e decisões estratégicas no longo prazo.

Essa base não deveria apenas documentar o passado, mas garantir direção futura, mesmo diante de mudanças de time ou liderança.

Os pilares da solução

PAP – Principios, Acordos e Práticas.

Era um documento de compliance do design, reunindo todos os acordos relacionados a:

  • Processos
  • Ferramentas
  • Decisões de design
  • Integrações com outras áreas

Cada acordo do PAP era apoiado com guias práticos, videoaulas, documentações completas dentro da Central do Design. Todas elas criadas e mantidas pelos próprios designers.

Ritual da Evolutiva

O principal objetivo da evolutiva era resolver as tensões do time de design e garantir que os planos de ação não se perdessem. Era um ritual quinzenal, com participação de todo o design.

Um Facilitador e secretário eram eleitos de maneira democrática, os papeis eram rotativos a cada três meses, essa abordagem dava oportunidade para quem quisesse desenvolver habilidades de facilitação.

A reunião era dividida em duas partes: acompanhamento de planos de ação e resolução de tensões

Tensão era qualquer impedimento, técnico, humano ou processual que afetava as pessoas dentro do design.

Tensões resolvidas geravam aprendizado e esse aprendizado devidamente cadastrado na central.

As tensões mais complexas geravam planos de ação. E os resultados desses planos alimentavam diretamente a Central do Design, criando novos guias, padrões e até novos acordos no PAP.

Nada se perdia. Tudo evoluía.

A Central do Design na prática

A base foi estruturada em seções claras e navegáveis:

  • Dia a dia do design – PAP, evolutivas, organização de férias, apresentações dos designers
  • Documentos e guias – Documentos institucionais, guias de como realizar determinadas tarefas, apresentações recorrentes.
  • Design system – Toda documentação de uso e criação do design system
  • Content system – Todas as diretivas de comunicação, tom e voz, posicionamento e estratégia de comunicação.
  • Repositório de pesquisa – Um grande acervo de pesquisas, insights e estudos que o design realizou através dos anos.
  • Reports sociais – Quinzenalmente o time de Social nos fornecia informações e nós transformavamos em insights utilizaveis no design.
  • Treinamentos e materiais de estudo – Livros, gravações de workshops, apresentações
  • Templates de design – todo e qualquer template para qualquer tipo de entregável de design.

Ela foi pensada para ser usada todos os dias, não apenas consultada esporadicamente.

Onboarding e autonomia desde o primeiro dia

Todo novo designer começava por um documento de onboarding com checklist claro do que encontraria na Central e na empresa.

Na seção “Dia a dia do design”, o novo integrante criava seu perfil, registrando informações que facilitavam conexões, colaboração e reconhecimento dentro do time.

O resultado foi uma redução drástica da dependência de outras pessoas logo no início da jornada.

Governança sem engessar

Todos podiam colaborar com a Central.
A governança vinha dos acordos definidos no PAP.

Eu como líder estabelecia os níveis de acesso e autonomia dos demais designers, para questões de segurança o versionamento e histórico da ferramenta nos garantiam tranquilidade.

Qualquer pessoa podia questionar, não concordar e propor novas soluções, a evolutiva era o canal certo para essas discussões pois garantia que o que estava sendo proposto fazia sentido, o designer não perdia tempo criando templates ou tomando decisões isoladas e o protagonismo aparecia na medida certa e de forma saudável.

A base era viva, adaptável e coletiva.

O teste definitivo

O maior indicador de sucesso aconteceu de forma simples: durante minhas férias.

O design operou sem crises, sem gargalos, sem dependência da minha liderança.

Minha atuação passou de ensinar constantemente para apenas tirar dúvidas pontuais. Isso me deu mais tempo para focar na estratégia da empresa e para trazer novidades para a disciplina.

O próprio time assumiu parte da evolução da disciplina, apoiado por especialistas em Design Ops e Research Ops.

Impactos concretos

  • Curva de aprendizado de novos designers reduzida de 3 meses para 2 semanas.
  • Design passou a definir estratégia junto a pares multidisciplinares.
  • Autonomia plena para responder pela área dentro de cada contexto.
  • Produto passou a fundamentar decisões com base nos insights de design.
  • Tecnologia reduziu retrabalho com entregáveis mais maduros.
  • Negócio focou mais em CRO do que em problemas da esteira de produto.
  • Diretoria ganhou confiança na eficiência e maturidade do design

Conclusão

A Central do Design garantiu algo fundamental para a Locaweb:

O conhecimento e o histórico das decisões de design não desaparecem, mesmo que todas as pessoas saiam da empresa. A evolução, a direção e a capacidade de inovar permanecem asseguradas.

Ela se tornou um ativo valioso que impede estagnação, retrabalho e decisões rasas quando a empresa é cobrada por inovação.

E ai, vamos conversar?

Será um prazer falarmos sobre projetos,
sonhos e oportunidades

Marcar um horário